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Eneagrama e Constelação

Como todo grande pensador, que não elabora uma teoria do nada, ou em pouco tempo…

Como todo pensador sério, que aprende empiricamente sobre o ser humano observando, analisando, investigando.

Como todo pensador criterioso que não aplica teorias na superficialidade e ao contrário, se aprofunda o suficiente para que essa teoria realmente tenha sentido, propósito e critérios.

Como todo pesquisador ávido e profundo, Bert Hellinger, aos 91 anos conseguiu atingir uma grande percepção e sabedoria a respeito da alma humana e, descobriu ao longo de 30 anos de trabalho, de maneira determinada, séria e devotada, uma série de leis ocultas que atuam sobre pessoas, grupos, famílias e até nações.

Ele diz que essas leis foram ignoradas por toda a história da humanidade, o que causou muitos problemas, dores, distúrbios, doenças e conflitos individualmente e coletivamente.

Ou seja, provocaram desordens.

Bert Hellinger descobriu que todo grupo (família, empresas, comunidades) funciona como um organismo vivo que se autorregula para permitir que sobreviva ao longo do tempo.

Usou o método fenomenológico para observar e deduzir um conhecimento sobre as “leis” ou “ordens” ocultas da vida.

Como Jung e outros grandes pensadores, não enquadrou suas observações em nenhuma teoria, mas trabalhou com as ideias que surgiam dos processos fenomenológicos.

As leis ou princípios que foram descobertos com a aplicação da terapia das constelações familiares desenvolvida por ele ao longo de anos, foram:

A lei ou princípio vinculador, de pertencer: todos tem o direito de pertencer;

A lei ou princípio do equilíbrio nas trocas, entre dar e receber;

A lei ou princípio de ordem ou hierarquia do grupo.

Estas leis ou princípios são guiados por nossa consciência pessoal.

Mas todo grupo, seja família, empresa ou qualquer comunidade é guiado por uma consciência grupal, e só se percebe a existência dela através de seus efeitos nas relações.

E assim, essa consciência grupal também se guia por esses princípios não permitindo, por exemplo, no princípio do pertencer, que qualquer membro do grupo seja esquecido, expulso ou excluído.  Se isso acontecer, um descendente que muitas vezes, nem tem consciência disso, vai repetir esse destino (sem saber).

Em relação ao princípio do equilíbrio, essa consciência grupal exige uma compensação adequada para o que foi dado e recebido.

Se alguém receber demais e não equilibrar isso, um descendente irá ter que fazê-lo, novamente sem saber.

Em relação ao princípio de ordem, a consciência grupal precisa respeitar as hierarquias.

Em geral, as pessoas agem com a melhor das intenções e não percebe o grupo como um todo.

Esses princípios foram chamados por Bert Hellinger, de “Ordens do amor”.

Neste sentido, ordem e amor atuam juntos.

“O amor preenche o que a ordem abarca. O amor é a água, a ordem é o jarro. A ordem reúne, o amor flui. Ordem e amor atuam unidos. Como uma canção obedece às harmonias, o amor obedece à ordem. E como é difícil para o ouvido acostumar-se às dissonâncias, mesmo que sejam explicadas, é difícil para a alma acostumar-se ao amor sem ordem. Alguns tratam essa ordem como se ela fosse uma opinião que eles podem ter ou mudar à vontade. Contudo, ela nos é preestabelecida. Ela atua, mesmo que não a entendamos. Não é inventada, mas descoberta. Nós a depreendemos, como ao sentido e à alma, por seus efeitos”. Bert Hellinger.

A ordem pode ser comparada aos arquétipos, uma predisposição inata e arcaica que precisa acontecer. Assim é. Já veio com a vida, com o ser humano.

A vida arquetípica é um sistema. Fazemos parte de um sistema. Tudo no universo é organizado em sistemas. Sistema solar, sistema político, ecossistema, sistema de saúde, sistema educacional, sistema familiar e até sistema da informação, entre outros.

Quando o sistema interage junto, cria uma força que gera muita energia, maior que quando os componentes interagem separadamente.

Cada sistema tem seu núcleo de força. Por exemplo, um sistema familiar, que Bert Helling chamou de constelação familiar, tem um campo próprio de força, onde estão inseridos todos os membros daquela família, inclusive as pessoas que foram excluídas da família, membros que não foram honrados ou foram esquecidos; agressores, vitimas, crianças dadas, abortadas ou esquecidas, antigos parceiros abandonados, entre outros.

Como dizia Hellinger, o sistema não suporta a exclusão, quando isso acontece com algum membro daquela família, o sistema entra em desequilíbrio.

E aparece algum sintoma, que no início pode ser julgado como “ruim” ou “desastroso”, “terrível” no sistema, ou em algum membro com o intuito de incluir o que foi rejeitado. E o que parece ser ruim, foi uma “ benção” para integrar o sistema e harmonizá-lo.

O pertencimento faz parte da ordem universal de qualquer sistema. E além da interação dos componentes desse sistema, ele também é orientado por uma ordem hierárquica. Por exemplo, problemas ocorrem quando um filho acredita ser superior ao seu pai ou um funcionário que quer ensinar seu chefe a liderar a equipe desrespeitando a gestão instituída. Na atualidade, em alguns momentos, enfrentamos situações assim com uma geração como a Millennials que são jovens inovadores e que divergem e as vezes, desacreditam da geração anterior.

Enfim, nesses 20 anos que trabalho com constelação sistêmica e nos 11 anos que me especializei em Eneagrama pela Escola de tradição Narrativa, pude perceber a importância do trabalho de Constelação junto com o Eneagrama.

O Eneagrama tem o circulo como uma das figuras geométricas que representam a totalidade, a percepção que somos todos um, que analogicamente nos remete a sensação da ordem pré-estabelecida e da necessidade de o ser humano estar presente e pertencer.

O triângulo nos ensina sobre a lei de 3 – simbolicamente vista pela ação, reação e mediação, o equilíbrio, vejo o triângulo como um portal de equilíbrio, por exemplo, dos três Centros de Inteligência: Físico, Emocional e Mental.

E a héxade pode ser comparada a ordem hierárquica no sentido que tudo pode voltar, a vida tem uma continuidade descontínua.

Mas, o mais interessante é o trabalho com a energia de cada traço colocando os membros do grupo nos seus perfis e identificando processos atuais e antigos de problemas, desconexões, dificuldades e uma série de problemas ligados a inconsciência de cada perfil somada as histórias familiares e todos os problemas de relacionamento entre as pessoas.

Constelação e Eneagrama – dois instrumentos excelentes de transformação. Se bem utilizados promovem muita cura e crescimento interior e para as pessoas ao redor de quem se trabalha.

Escrito por Marilena Bigoto, Psicoterapeuta Junguiana, Especialista em Psicologia Clinica pelo CRP-SP, Professora de Eneagrama pela Escola de Tradição Narrativa, da Helen Palmer e David Daniels, professora acreditada pela International Enneagram Association com formação em Constelação Sistêmica e Familiar.

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Marilena Borges

Graduada em Psicologia com especialização em Psicologia Clínica e Mestre em Filosofia. Sócia e diretora do ESEDES.

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